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| "Aprenda sobre esse assunto" - Reyesvalenciennes |
Além dos fatores já mencionados, a grande extensão e disponibilidade das terras existentes foram fundamentais na escolha do modelo de colonização a ser adotado. Este modelo era baseado em três elementos importantes: grande propriedade, monocultura e trabalho escravo. A grande propriedade, como forma de exploração agrária, foi adotada em função de alguns fatores básicos:
- havia bastante disponibilidade de terras;
- eram poucas as pessoas que se dispunham a vir para o Brasil; pondo em risco suas posses e sua vida em troca de algo incerto; por isso mesmo, os que o faziam só vinham em troca de grandes extensões de terras, pois queriam ser grandes senhores e latifundiários;
- a produção de cana só seria lucrativa em plantações extensas; desbravar o terreno, plantar, colher, transportar a cana e fabricar o açúcar só se tornariam tarefas lucrativas quando envolvessem quantidades consideráveis.
O estabelecimento da agricultura no Brasil, como em outras áreas tropicais, teve como principal objetivo o cultivo de um produto que tivesse grande valor comercial e fosse altamente lucrativo. Esse objetivo foi em decorrência natural do chamado pacto colonial, segundo o qual as colônias só poderiam comerciar com suas metrópoles. Por isso mesmo, todos os esforços deveriam ser concentrados na cultura de um só produto, ou seja, na monocultura. Inicialmente, tentou-se utilizar o trabalho indígena nas plantações. Como , de modo geral, os índios tinham colaborado de maneira dócil na extração do pau-Brasil, pensou o colonizador que eles não ofereceriam resistência ao trabalho agrícola. Porém, os indígenas, aos poucos, não mais se satisfaziam com os simples objetos que recebiam em troca de pesado trabalho. Por outro lado, não se submetiam facilmente ao trabalho na lavoura, da forma exigida pelo colonizador. Ao contrário da extração do pau-Brasil, tarefa esporádica e livre, a atividade agrícola exigia maior disciplina, organização e vida sedentária. A solução foi aumentar a vigilância para impedir o abandono do trabalho e, depois da escravização pura e simples do indígena. Em pouco tempo, a escravidão dos índios se generalizou e se estabeleceu firmemente. Os indígenas resistiram escravização. Porém, apesar de sua superioridade numérica, foram quase sempre derrotados pela superioridade das armas de fogo dos colonos. Em 1570, uma Cana Régia do rei de Portugal só autorizava a escravidão de índios que fossem presos em guerra justa. Entendia-se por guerra justa aquela iniciada, pelos indígenas ou que fosse promovida pelos brancos contra as tribos que se negassem a submeter-se aos colonos. Na verdade, essa lei nada mais foi do que a legalização da escravidão do índio, sob o pretexto de defendê-lo. Daí por diante, organizaram as expedições, chamadas bandeiras, para aprisionar índios. Essas bandeiras da caça ao índio tornaram-se um dos principais fatores da atual extensão do território brasileiro. Na possibilidade de contar em grande escala com o trabalho indígena e diante da possibilidade de lucros que o tráfico negreiro traria, mais uma vez os portugueses lançaram mão de sua experiência; desde o século XV, Portugal para serviços domésticos e, nas ilhas do Atlântico, para o trabalho agrícola. Embora não se tenha certeza quanto á data em que vieram para o Brasil os primeiros escravos africanos, sabe-se que, a partir de 1550, teve início o comércio regular de escravos entre a África e o Brasil. Sua introdução foi lenta em alguns lugares, pois seu custo era alto, se comparado ao do indígena, que praticamente nada custava. Por isso, em certas regiões mais pobres, e mesmo nas capitais do norte, a mão-de-obra indígena continuou participando em escala considerável da exploração colonial, especialmente até o fim do século XVI. Em 1587, por exemplo, havia uma população aproximada de 2.000 europeus, 4.000 negros e 6.000 índios. O alto custo do escravo negro africano era decorrente mais das condições da viagem do que propriamente do preço pago na África. Em geral, a metade desses escravos morria durante a viagem, e muitos dos que chegavam ao destino já estavam inutilizados para o trabalho, pois viajavam amontoados, acorrentados, mal alimentados e em péssimas condições higiênicas. Os que morriam eram simplesmente jogados no mar.
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